segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ceratocone com reabilitação da córnea

O implante de anel intracorneano traz pelo menos seis importantes ganhos aos portadores de ceratocone.
O implante de anel intracorneano traz pelo menos seis importantes ganhos aos portadores de ceratocone. É o que garante o criador do Anel de Ferrara, que esteve em Brasília na última semana, para o encerramento do ciclo de palestras sobre ceratocone e anéis intracorneanos promovido pelo Centro de Estudos Oftalmológicos do HOB.
O implante de anel intracorneano não é cura para o ceratocone, é reabilitação da córnea e, na grande maioria das vezes, retém a evolução desse processo que deixa o olho em formato de cone levando à queda da acuidade visual. A afirmação é do pioneiro em desenvolvimento de anel intracorneano no Brasil, Paulo Ferrara, que esteve no Hospital Oftalmológico de Brasília na última semana para concluir o ciclo de debates sobre ceratocone promovido pelo Centro de Estudos Oftalmológicos do HOB. 

A principal causa do ceratocone é genética, assinala o oftalmologista ao informar que cerca de 300 pessoas em cada grupo de mil são portadoras desta irregularidade da córnea. Ferrara comenta que outros fatores podem influenciar no desenvolvimento do ceratocone. "Enquanto, nos países do oriente médio, em conseqüência dos casamentos cosanguíneos, existem muitos casos de deformação da córnea, também nos países andinos, a altitude e a pressão atmosférica exercem influência sobre os olhos e há muitos registros de ceratocone", ilustra.
 
Maus hábitos - Ferrara alerta para os hábitos inapropriados, mas cultivados pelos portadores de ceratocone, como coçar os olhos. O processo de deformação da córnea provoca a coceira e ao buscar alívio para este desconforto o portador acelera e agrava o processo. Ao perceber este comportamento com frequência acima do normal é aconselhável procurar um oftalmologista, aconselha.

Com mais de 15 mil anéis intracorneanos implantados desde 1986, quando começou a desenvolver esta tecnologia para melhorar as condições visuais dos portadores de altas miopias e ceratocones, Paulo Ferrara é quem tem maior experiência no mundo com este procedimento, assinalou o presidente do HOB, Canrobert Oliveira.

Ele destaca que os avanços tecnológicos também são grandes no que diz respeito à técnica para implante. "Hoje, o túnel para implante do anel intracorneano é feito com precisão nunca vista com aplicação do laser de femtossegundo", comenta Canrobert. O intralase trouxe ainda mais segurança para os procedimentos de implante de anel, cirurgias refrativas e transplante de córnea, além de permitir que mais portadores de ceratocone se submetam a esta correção. "Ocorre que para o implante de anel feito manualmente, o paciente precisava ter condições especiais de córnea e o femtossegundo permite o benefício para mais pessoas", explica ao adiantar que, nos próximos anos, a técnica deve ser aplicada também às cirurgias de catarata.

Outro benefício do intralase aplicado ao implante de anel intracorneano é que a precisão conferida ao procedimento evita as torsões e traumas na córnea relatados no processo manual, artesanal, afirma Canrobert.
O HOB é o único centro oftalmológico da região Centro-Oeste a aplicar a técnica do intralase e um dos primeiros do Brasil a disponibilizá-la à população juntamente com o hospital paulista Albert Einstein e o centro de referência de Sorocaba (SP).
 
Possibilidade real - O Anel de Ferrara, desenvolvido em dois segmentos, é referência para a contenção de ceratocone em países dos cinco continentes. De acordo com seu criador, o implante de anel intracorneano não permite ao médico prever, sob o ponto de vista refrativo, como ficará a visão do paciente exatamente, mas sob o aspecto visual, sim. "Após a cirurgia do anel, o paciente vai enxergar melhor", afirma.

Paulo Ferrara considera a cirurgia do Anel uma correção ortopédica e a correção refrativa uma possibilidade. Ele exemplifica que em algumas situações, aquele portador de ceratocone que não conseguia enxergar com qualidade, porque o formato do olho já não permitia adaptação às lentes de contato nem correção refrativa com óculos, ao deixar a córnea mais plana com o Anel, vai ganhar quantidade e qualidade de visão com a adaptação mais fácil da lente de contato.
Nova pesquisa - O criador do Anel de Ferrara adiantou aos participantes do último encontro do CEO-HOB sobre ceratocone e anéis intracorneanos que, este ano ainda, vai publicar nova pesquisa realizada com 1073 olhos com ceratocone e intolerantes à lentes de contato. Após seis meses de acompanhamento, pós-implante do Anel de Ferrara, o resultado foi alto nível de satisfação para os pacientes, no dia seguinte à cirurgia, confirma.
Seis ganhos - De acordo com Paulo Ferrara, ao promover a correção ortopédica, o Anel intracorneano permite pelo menos seis grandes ganhos ao portador de ceratocone: reduz a ectasia (deformação na córnea), melhora a visão, diminui o grau refrativo, melhora a adaptação às lentes de contato, impede a progressão do ceratocone e traz mais conforto ao paciente.

Ele assinala que mesmo aos pacientes que já se submeteram ao transplante de córnea em busca de solução para o ceratocone, a partir da análise detalhada das condições de habilitação deste candidato, é possível realizar implante do Anel intracorneano com êxito nos resultados.

Chama-se ceratocone a alteração estrutural da córnea que assume formato de cone e a curva que se forma causa distorção da visão como a percepção de múltiplas imagens e sensibilidade à luz.
Fonte: ATF Comunicação Empresarial

Novo transplant​e de córnea ganha adeptos no Brasil

Brasil realiza ceratoplastia endotelial, método usado em 40% dos transplantes nos Estados Unidos.
Brasil realiza ceratoplastia endotelial, método usado em 40% dos transplantes nos Estados Unidos. Nos últimos seis anos, 40% dos transplantes de córnea têm sido realizados pelo método da ceratoplastia endotelial nos Estados Unidos. A cirurgia também vem sendo realizada no Brasil, a fim de devolver a visão a várias pessoas.
 
"Trata-se de uma opção interessante para o paciente que teve complicações na cirurgia de catarata ou ainda para os portadores de distrofia de Fuchs - doença da córnea que evolui lenta e progressivamente e afeta o endotélio, parte da córnea que fica no interior dos olhos e é responsável por sua transparência", diz o doutor Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos.

De acordo com o especialista, a técnica vem ganhando novos adeptos por conta dos resultados promissores. "Nós apenas substituímos a parte doente da córnea, preservando as estruturas sadias. Ao contrário do transplante normal, que exige um tempo de recuperação entre quatro e seis meses, como a ceratoplastia endotelial leva poucas suturas a recuperação acontece geralmente em 40 dias. Depois desse período, mais ou menos, grande parte dos pacientes enxerga com acuidade visual próximo a 20/40 - que é considerada normal".

Neves diz que, quando preparada, a córnea doadora pode ser implantada em dois pacientes, já que um aparelho especial separa a córnea em duas  camadas que podem substituir o endotélio doente ou a superfície da córnea - em casos de cicatrizes ou até ceratocone.
Fonte: Dr. Renato Neves, médico oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo - www.eyecare.com.br
Fonte: Press Página